Tratado do método

Do plano cartesiano ao atlas

Manter a acessibilidade e a comparabilidade dos modelos atuais, elevando o rigor e a fidelidade à complexidade real das posições políticas.

§ 1 · O diagnóstico

Eixos superficiais e não ortogonais

Os eixos comuns misturam dimensões que deveriam ser tratadas de maneira independente. “Autoridade” confunde a amplitude do poder com a escala em que ele se exerce e com a fonte que o legitima; “economia” confunde o arranjo desejado com o método pelo qual se pretende alcançá-lo. Um anarcocomunista que aceita comunas voluntárias e um que pretende impor a coletivização caem no mesmo ponto do plano — e não deveriam.

Faltam, além disso, as camadas mais profundas: a fonte de legitimidade política, a ontologia social, a epistemologia, a escala institucional preferida e a natureza dos arranjos de organização social. E perguntas formuladas para forçar dicotomias contemporâneas, pressupondo o Estado como arena principal de decisão, acentuam as distorções.

§ 2 · O princípio

Conteúdo e método

Toda posição política responde a duas perguntas distintas: que ordem é desejável? e por qual via essa ordem se torna legítima? O ORDVS mede as duas separadamente — e a relação entre elas revela meta-posições que nenhum eixo isolado captura.

§ 3 · As camadas

Treze dimensões independentes

I

Legitimidade

FundamentoTranscendente · Tradicional ↔ Racional · Contratual
Titular da autoridadeConsentimento individual ↔ Vontade coletiva
II

Ontologia social

Sujeito políticoIndivíduo ↔ Comunidade orgânica
Natureza humanaConstrangida ↔ Perfectível
III

Propriedade & economia

PropriedadePrivada ↔ Comum
CoordenaçãoOrdem espontânea ↔ Planejamento
Caráter dos arranjosVoluntário ↔ Imposto
IV

Cultura & sociedade

Orientação moralTradição ↔ Progresso
PluralismoPluralidade moral ↔ Unidade moral
V

Instituições & escala

EscalaLocal ↔ Central
Amplitude do poderMínimo ↔ Amplo
VI

Epistemologia política

ConhecimentoDisperso · Tácito ↔ Técnico · Centralizável
JustificaçãoPrincípios ↔ Consequências

§ 4 · Genealogia

Os modelos que vieram antes

Cada um superou parte das restrições do compasso. O ORDVS procura dar o passo qualitativo seguinte.

Political Compass2 — econômico e autoridadeReferência comparativa; eixos correlacionados e Estado como arena implícita.
SapplyValues3 — econômico, autoridade, progressoAcrescenta a dimensão cultural, ainda em eixos fixos.
Votely3, em visualização tridimensionalMatching com ideologias; mantém a lógica de eixos.
NeoValuesÁrvores de decisãoRamificação por respostas, mas com ramos pré-definidos.
ThirdPositionValues, VanguardValuesEixos de nichoAlta resolução em recortes específicos do espectro.
IdeosorterFluxo sequencialPerguntas relevantes em sequência; classificação por eliminação.
ORDVS6 camadas · 13 dimensõesSepara conteúdo e método; premissas multidimensionais + árvore de 60 linhagens; leitura interpretativa.

§ 5 · O procedimento

Híbrido e adaptativo

A Fase I apresenta questões de alto nível sobre premissas fundamentais, combinando escalas de concordância e escolhas de até seis alternativas. Cada resposta desloca uma ou mais dimensões com pesos explícitos; o sistema registra também a ambivalência — respostas que puxam a mesma dimensão em sentidos opostos.

Na Fase II, as pontuações abrem as três casas ideológicas mais próximas, e o respondente escolhe por qual entrar. Daí em diante, uma árvore genealógica de bifurcações com várias alternativas separa tradições vizinhas até uma de sessenta linhagens. Ao contrário de uma árvore pura, cada resposta continua a pontuar as treze dimensões; ao final, três perguntas de aprofundamento visam as dimensões mais ambíguas.

Na Fase III, o motor interpretativo confronta a linhagem escolhida com a posição geométrica nas treze dimensões — e, quando divergem, mostra por quê. Lê cada camada, aponta coerências e tensões, identifica meta-posições, mede a distância em relação a cada família e propõe cenários contrafactuais. Tudo é calculado no navegador, sem envio de dados.

Iniciar a avaliação